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Projeto arquitetônico de Gustavo Penna é escolhido para construção de Memorial em Brumadinho

arquitetura | Gustavo Penna Arquiteto e Associados | @gustavopennaarq

 

Espaço de memória em homenagem às vítimas buscará ser um símbolo de transição entre a dor causada pelo rompimento e a reconstrução da vida.

 

O projeto arquitetônico do escritório de arquitetura GPA&A (Gustavo Penna e Associados), fundado pelo arquiteto Gustavo Penna, foi escolhido pela Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão Brumadinho (Avabrum) para a construção do Memorial Brumadinho, em homenagem às vítimas do rompimento da barragem, ocorrido em 25 de janeiro de 2019. O projeto foi idealizado para homenagear a memória das pessoas que perderam suas vidas, por meio de um espaço que seja um local de acolhimento e convívio comunitário.

 

Implantação do projeto com vista para o local onde ocorreu a tragédia.

 

O Memorial Brumadinho terá cerca de 1.220 m² de área construída e será erguido em um terreno de cinco hectares escolhido pela Avabrum e adquirido pela Vale, que também é responsável por contribuir tecnicamente e viabilizar a construção do espaço. O processo de seleção contou com o apoio técnico da arquiteta e urbanista Jurema de Sousa Machado, ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e do museólogo Marcelo Mattos Araújo, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

 

Simbologia para gerar reflexão sobre a tragédia

O projeto do GPA&A foi pensado para gerar no visitante uma experiência de reflexão sobre a memória e a dor que o rompimento deixou na comunidade, por meio de simbologias cheias de significado. Ao arvoredo original do terreno será incorporada a plantação de 272 ipês-amarelos, árvore símbolo do Brasil, como sinal de respeito e culto à memória de cada uma das vítimas.

 

A entrada no Memorial será constituída por um pavilhão com forma distorcida e fragmentada, que representará os sonhos das vítimas. A invasão da lama será simbolizada por um ambiente escuro, iluminado apenas por frestas de luz no teto. A cada dia 25 de janeiro, exatamente às 12h28, dia e horário precisos do rompimento, um facho de luz irá cortar o ar e iluminar uma drusa de cristais, conjunto de joias arranjadas pela natureza, materializando a luz que naquele dia não veio.

 

Entrada proposta para a entrada do memorial.

 

O Memorial também contará com um Monumento às Vítimas Fatais, uma grande cabeça em formato de um quadrado instável, representando o sentir e o chorar – os gestos mais humanos de quem se depara com o impacto da perda – que serão transformados em trajetória, pois sob ele haverá um percurso em forma de fenda escavada com os nomes das vítimas, dispostos para sejam desvelados pelos visitantes, na medida em que caminham. “Este espaço vai possibilitar uma experiência sensível, individual e compartilhada, dando voz e forma àquilo que não esquecemos”, comenta Gustavo Penna.

 

Monumento às vítimas fatais.

 

A idealização do espaço contou com a participação da comunidade de Brumadinho para que, assim, o Memorial se configurasse como um espaço de pertencimento, de identificação e coletividade. “A nossa tarefa face à realidade da dor das famílias nos coloca em uma posição de profunda humildade. A voz, a única voz, é a das testemunhas. A narrativa pertence a quem não pode mais falar e àqueles que ficaram no pesar. Não há consolo que possa ser materializado nessas circunstâncias. Resistimos ao apagamento do tempo e da história”, avalia Gustavo Penna.

 

Corredor de acesso ao memorial e ao mirante. Nas paredes laterais, estão os nomes de cada uma das pessoas que se foram.

 

Ao entrar o ambiente é escuro. No teto apenas frestas de luz, como se a onda estivesse atingindo o edifício e apagando o sol. Experiências e sensações que irão preparar os visitantes para o que virá. Será necessário passar por esse mergulho, antes de entrar no memorial.

 

Além de imagens e vídeos, o projeto expográfico pode incluir projeções de cartas e mensagens dos familiares, criando um ambiente imersivo.

 

O espaço meditativo configura-se como um grande salão livre de pé-direito variável aberto para o jardim, podendo ter suas atividades estendidas para um anfiteatro externo.

 

Tanto o espaço meditativo quanto o café têm suas áreas externas resguardadas, com vista para as árvores

 

O lago situa-se 3 metros abaixo do mirante e estende-se ao longo das curvas de nível.

 

No mirante descortina-se a paisagem do vale, uma superfície que foi atingida e tingida pela lama.

 

Fotos: Divulgação

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