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Natureza integrada com arquitetura e o design de interiores: um novo caminho para os projetos residenciais contemporâneos

coluna | por Rosana Parisi | @rosanaparisi

 

Quando se depara com a denominação habitações ecológicas, observa-se que podem ser aquelas cujo processo construtivo e funcionamento incorporam soluções de baixo impacto para o meio ambiente. Na verdade, não estamos nos referindo à denominação usual das habitações sustentáveis. Por quê? Justamente pelo fato de essa expressão ter adquirido um cunho comercial que, via de regra, agrega poucas soluções que verdadeiramente incorporam contribuições para reduzirem os impactos causados à natureza e a geração de resíduos que tanto interferem no equilíbrio e nas questões de sobrevivência humana de nosso planeta.

 

Trazemos para este artigo duas casas brasileiras e uma no Reino Unido, onde notadamente podem ser verificadas soluções interessantes e acolhedoras, que vem sendo utilizadas por profissionais conscientes e atentos com as questões ambientais. Seus projetos e alguns objetos de design incorporam elementos que podem sim contribuir para o conforto, a saúde e satisfação dos moradores e usuários.

 

A primeira casa, a Casa das Birutas, projetada pelo escritório Gera Brasil, foi construída em Piracaia-SP na ecovila Clareando. Esta contempla técnicas de baixo impacto como por exemplo, um gridshell de bambu, que é uma estrutura auto-portante coberta com telhas do tipo shingle (Brasilit), uma estrutura e deck confeccionados com madeira legalizada e parede que emprega terra ensacada. De acordo com os arquitetos responsáveis pelo projeto, que se destacou no Prêmio Saint-Gobain de Arquitetura Sustentável na categoria residencial, “a Bioconstrução é uma nova maneira em que as pessoas pensam a construção respeitando o fluxo dos sistemas naturais, como era feito no passado. Através dela é possível cooperar para a redução de impactos ambientais, otimizar os recursos financeiros e contribuir com a conservação ambiental e melhoria da qualidade de vida dos usuários”.  A segunda proposta, concebida pelo escritório Sheppard Robson, de Londres, conhecida como Casa Farol está edificada em Watford, no Reino Unido e é a primeira casa ali construída sem a emissão de CO2. Emprega madeira tratada e certificada, vidros com propriedades isolantes na cobertura, que possibilitam a entrada de luz até os pisos inferiores, persianas corrediças que também giram e permitem a entrada equilibrada de luz e calor, além de um sistema térmico solar e células fotovoltaicas, uma turbina eólica e um sistema de recuperação de calor e contém objetos de bom design que harmonizam com a proposta.

 

 

 

Fotos 1, 2 e 3:  Casa das Birutas (Créditos: Gabriela Rinaldi)

 

A terceira casa, construída na Villa di Paulo, em São José do Rio Pardo-SP é nossa própria residência. Edificada com o emprego de taipa de pilão pela empresa Taipal Construções em Terra, emprega também tijolos aparentes, telhado vegetado, sistema de captação de águas de chuva, pintura à base de terra, esquadrias que utilizam madeiras de demolição e amplas aberturas que possibilitam o aclaramento e ventilação natural cruzada, que contribuem para o conforto ambiental e fazem a edificação mais integrada à natureza e aconchegante.

 

Há inúmeros outros bons exemplos de edificações como as que ora apresentamos. Dentre esses, destacamos a Casa em Cunha-SP, projeto do escritório Arquipélago Arquitetos e construída pelo escritório Matéria Base; Solar Box, residência projetada pelo arquiteto Georg Box em Viena-Aústria; Casa da Mantiqueira, do arquiteto Gui Paoliello, também construída pela Taipal Construções em Terra, que reforçam a necessidade atual premente de, tanto a arquitetura quanto o design, cada vez mais, demonstrarem o quanto é possível para as atividades ligadas à construção civil, indústrias moveleiras e de objetos de design e decoração reduzirem os impactos que proporcionam ao meio natural, além de gerarem espaços  mais acolhedores, vitais e integrados para a vida das pessoas. 

 

foto de capa | Rosana Parisi

 

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