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DESIGN E BRASILIDADE

coluna | por Victor Megido | @victor_megido

 

“O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar…”

Oscar Niemeyer

 

É possível internacionalizar o mood in Brazil, a versão brasileira da felicidade, criatividade humana, da beleza? Certamente, e é um assunto pertinente ao design, que engloba desde as estratégias de negócios, aos produtos, serviços, comunicação e narrativas. 

Temos exemplos de sucesso na nossa história e em diferentes campos de ação. Esse mood se traduziu bem no futebol arte do Santos FC, que conquistou tudo e mostrou ao mundo valores de criatividade e abundância, nos anos sessenta. Posso citar grandes intérpretes da brasilidade como Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Burle Marx, Sergio Rodrigues, Vinicius de Moraes e Tom Jobim, Pelé e Garrincha. Todos filhos do modernismo brasileiro e inspiradores para nosso 2020. 

Como se traduz esse mood in brazil, então? Na curva, na beleza, no sensualismo, na musicalidade, na emoção e drama, na natureza, no bom humor. Por que temer e negar isso? São tantos brasis, do shape do Rio a Brasília, do porto de Santos à avenida Paulista, correndo pelo ouro mineiro, os coqueiros baianos e o artesanato pernambucano, nadando nas piscinas naturais do Ceará e esbanjando verde na Amazônia, no Pantanal, não esquecendo do vasto amarelo rico do cerrado, e das tantas voltas, um abundante café colonial nas terras gaúchas. 

Uma grande riqueza cultural, esse mood. Na música, conduzimos a felicidade de tantas formas diferentes, desde as marchinhas de Carnaval, aos ritmos da Bossa-Nova, na mais eletrizante Tropicália, e na verdade nunca paramos de fazer isso. Nosso bom humor está estampado nas Havaianas e nas Ipanemas, nas campanhas publicitárias de Washington Olivetto e Nizan Guanaes, no jeito carioca da Farm e da Osklen de ser uma das caras do Brasil, na sensualidade dos biquínis de Amir Slama, na elegante estética cult de Ronaldo Fraga. A lista é infinita. 

Brasilidade é glocalização. E nessa tradução antropofágica, por exemplo a linha reta racional de Le Corbusier se faz curva em Oscar Niemeyer. É a linha curva do universo de Einstein, as curvas de Ipanema nos paisagismos de Burle Marx. Nos móveis de Sérgio Rodrigues. Na sensibilidade pela arte e natureza presente nos móveis dos Irmãos Campana.

Brasilidade é mestiçagem, que no Brasil jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Na eterna e sincrética identidade étnico-nacional, já que Brasil é sinônimo de planeta terra. Um povo nunca “completamente maduro, mas sim experimental e incompleto”, como dizia Gilberto Freyre. Pois é a busca constante pelo conhecimento e pela sabedoria uma de nossas melhores características.

O desafio das lideranças do setor é conseguir convergir para tornar isso sistêmico, e levar ao mundo os encantos da visão brasileira da vida. Pois design é projeto, e o homem assume significado e propósito de vida projetado no tempo e na cultura onde ele está. Design assume então um significado dialógico, abraça todos os sentidos e fragmentos. Esse é o caminho. Alguns chamam isso de economia criativa, existem terminologias e diversos entendimentos acadêmicos sobre o tema. Mais que divergir, vamos convergir e afirmar que a força da brasilidade está na sua capacidade extraordinária de potencializar proximidades e atenuar divergências. O que não elimina os nossos contrastes e as nossas incoerências, diga-se! 

 

Foto: Wagner Kiyoshi por PixaBay

One thought on “DESIGN E BRASILIDADE”

Marco Zanini 27/03/2020 at 7:12 pm

Perfeito
Marco Zanini

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