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BIM: a hora e a vez dos arquitetos e urbanistas

coluna | José Roberto Geraldine Junior
Mais rapidez na execução de projetos, menos desperdício, integração eficiente do fluxo de trabalho: estes são alguns dos benefícios apontados pelos arquitetos e urbanistas que já aderiram ao Building Information Modelling (BIM) ou, em português, Modelagem da Informação da Construção. É, sem dúvida alguma, “um caminho sem volta” e os escritórios que já estão se adaptando à nova tecnologia tendem a ficar em posição mais vantajosa em relação aos demais.
Esse entendimento reflete justamente o movimento que estamos observando do mercado. Divulgado no início de novembro de 2020, o resultado da pesquisa “Visão BIM 20/20 LATAM – O impacto de BIM na América Latina”, a primeira sobre o nível de maturidade BIM, aponta que 79% das empresas já trabalham com essa tecnologia e apenas 21% que ainda não aderiram.
Realizada de 26 de novembro de 2019 a 14 de fevereiro de 2020, a sondagem focou em três grandes segmentos do setor da construção de cada país (incorporadoras, construtoras e projetistas – entre arquitetos e urbanistas, engenheiros e consultores) e ao todo participaram 18 nações, com um total de 879 respostas.
Como se percebe, a tecnologia está mudando a maneira como projetamos tudo, desde as edificações até a utilização de insumos e modelos de negócio. O BIM ajuda a potencializar o trabalho do arquiteto e urbanista que, no processo convencional, perde tempo com a documentação, restando-lhe menos espaço para criar. No ambiente BIM, essa situação é inversa, o que tende a se refletir no ganho de qualidade dos projetos.
Entre suas vantagens, é possível integrar todas as informações pertinentes a uma obra. A ferramenta também oferece a representação digital das suas características físicas e funcionais, podendo prever cada etapa construtiva – do pré-projeto à execução – e até ir além da obra pronta, chegando à manutenção pós-entrega.
Ou seja, uma das formas de se garantir boas contratações de obras, eliminando os aditivos e os erros, é a possibilidade de se construir digitalmente, verificar e corrigir conflitos no meio digital, antes do início das obras. Quanto mais detalhado um projeto, melhor será sua execução e mais adequada sua utilização.
Prova inequívoca de que o BIM veio para ficar é o decreto presidencial 9.377, de 2018, que criou a “Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modeling”, obrigando o uso da ferramenta para obras públicas no Brasil a partir de janeiro de 2021, com o objetivo de proporcionar a entrega de projetos melhores, mais rápidos e mais baratos.
Diante dessa nova realidade, é indispensável que a categoria se una em busca de qualificação técnica e força política para que possa fazer valer a capacidade particular da área de resolver o projeto em sua totalidade. É urgente nos requalificarmos e nos apresentarmos à sociedade como profissionais engajados na melhoria dos contratos públicos e no melhor desempenho das obras.
Será dessa forma que o profissional arquiteto e urbanista passará a ser mais valorizado, aumentando sua importância na cadeia produtiva e, com isso, talvez, ampliar sensivelmente seus honorários.

 

foto | MichaelGaida por Pixabay

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