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A trajetória multidisciplinar de Bernardo Figueiredo

artista | Bernardo Figueiredo | por Attos Henrique

 

Com prédios projetados no Rio de Janeiro, o pioneirismo nos shoppings centers e sua notável produção de mobiliários modernistas, a carreira de Bernardo Figueiredo se destaca através da fluidez entre arquitetura e design.

 

De sangue carioca, Bernardo Figueiredo (1934-2012), se formou em 1957 em arquitetura pela Faculdade Nacional do Rio de Janeiro, atual FAU-UFRJ. Começou a atuar na efervescência do modernismo brasileiro, quando Brasília havia sido inaugurada.  Entre as décadas de 1960 e 1970, realizou projetos de edifícios residenciais, sempre inspirado pela vida na cidade do Rio e pelo bairro de Ipanema, onde nasceu e viveu por boa parte de sua vida.

 

Explorando novas vertentes da criação, o arquiteto colaborou na Oca, loja que revolucionou a ideia de móvel na capital carioca, onde teve a oportunidade de trabalhar diretamente com Sérgio Rodrigues, idealizador da marca, Joaquim Tenreiro e Inge Dodel. Sobre a convivência, Bernardo relatou: “Inge me disciplinou, Sérgio me permitiu a intimidade com o móvel e Tenreiro me aguçou o estilo”. 

 

Sua notoriedade veio depois de contribuir no projeto de interiores do Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores em Brasília. Com a oportunidade, mobiliou as principais salas do Palácio, com peças como a poltrona Rio, a cadeira dos Arcos e o sofá Conversadeira. Também pode conviver durante este período com grandes contribuintes do modernismo brasileiro, como Oscar Niemeyer, Athos Bulcão e Burle Marx. 

 

Em busca de um estilo de vida mais próximo da natureza, se mudou para Porto Seguro, na Bahia, onde criou soluções para a população com projetos urbanos e pequenos edifícios, sempre assegurando a preservação da natureza e da cultura local da cidade histórica. Já na década de 1980, iniciou o pioneirismo na criação de shoppings centers no Brasil, contabiliza-se trinta projetos criados e construídos, como por exemplo, o Barra Shopping no Rio de Janeiro. 

 

Em 2012, Bernardo Figueiredo nos deixou, mas seu trabalho se tornou cada vez mais notável, ainda com o intermédio da empresa de mobiliários gaúcha Schuster, que desde 2011, comercializa reedições de peças criadas pelo designer. Essa iniciativa despertou o interesse da marca em expor a trajetória de Figueiredo em uma exposição que pode ser vista, até o dia 12 de dezembro de 2021, no Museu da Casa Brasileira. Além disso, um livro sob o título “Bernardo Figueiredo: arquiteto e designer brasileiro”, organizado por Maria Cecilia Loschiavo dos Santos e publicado pela editora Olhares, foi lançado recentemente, sendo considerado o maior e mais importante registro em torno de sua produção.

 

“A produção de Figueiredo está situada no cruzamento da arquitetura, urbanismo, design de mobiliário, design de interiores, cultura e suas inter-relações transdisciplinares. O que motivou estes cruzamentos? Bernardo foi um homem de pensamento aberto e sua identidade profissional sempre esteve imbricada com as condições culturais e sociais do Rio de Janeiro de seu tempo. Ele se envolveu em diferentes experiências profissionais e humanas, sempre com uma atitude aberta e positiva, expandindo suas práticas criativas em direções interdisciplinares e em constante fluxo no Brasil e no exterior”, diz Maria Cecilia Loschiavo, organizadora do livro.

 

O edifício Sea Side, é um dos exemplares de arquitetura residencial de autoria do arquiteto, construído na década de 1970, no Rio de Janeiro. 

 

A poltrona Rio é uma das peças criadas por Figueiredo que foi reeditada pela marca Schuster. 

 

Cadeira dos arcos.

 

fotos | Divulgação

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